Afinal, como denominar o teatro que fazemos hoje?

Pode parecer bobagem, mas um simples um termo, uma nomenclatura, pode estar carregada de conotações anacrônicas e muitas vezes preconceituosas.

Em artigo publicado no site da CBTIJ, Maria Aparecida de Souza afirma que “o termo “infantil” poderia apenas indicar a etapa de vida na qual biologicamente uma pessoa se situa. Mas ele está envolto por conotações políticas, ideológicas e culturais. Estas conotações é que vão distinguir como é concebida a infância em cada sociedade e, consequentemente, como se refletem os termos que adjetivam esta etapa de vida”.

De acordo com o Dicionário Aurélio, a palavra infantil tem como sinônimos pueril, tolo, ingênuo. “Se o conceito de infância não é universal nem atemporal, podemos constatar que estes sinônimos dedicados à mesma se dão em conseqüência da compreensão que nossa cultura ainda conserva sobre esta etapa de vida e suas características”, afirma ela.

Já para o pesquisador Luvel Garcia Leyva, encontrar uma demarcação teórica que aproxime a heterogeneidade da cena contemporânea e das diversas infâncias é um dos grandes desafios atuais. É, de fato, cada vez mais complexo escolher um termo capaz de abarcar a diversidade de experiências estéticas e de contextos de infâncias.

“Dentro de uma mesma área do teatro convivem diferentes conceitos, práticas, identidades teatrais que interatuam com as diversas representações sociais sobre a infância e as performances culturais em que as crianças estão inseridas”, afirma Luvel.

Teatro infantil ou infanto-juvenil, Teatro com crianças, Teatro para crianças, Teatro lúdico performativo, Teatro para as infâncias, Teatro para crianças feito por adultos, Teatro para todas as idades feito por crianças... Essas são algumas das expressões que vemos surgir na medida em que artistas, educadores e pesquisadores se debruçam sobre suas experiências.

Nós, do Teca, gostamos de usar o termo Teatro para as infâncias, enfatizando a pluralidade de vivências da infância, e no quanto podemos aprender com a diversidade.

O que tem nos movido ao longo dos anos é evidenciar cada vez mais em nosso trabalho, o protagonismo da criança, seja na elaboração e construção das narrativas, seja em cena, seja em laboratório ou em sala de aula. Numa relação não hierarquizada, queremos aprender e construir juntos. Olho no olho. Respeitando e dando voz às diversas infâncias.